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EDE UNICSUL |
SAÚDE MENTAL DOS POLICIAIS MILITARES DO RIO DE JANEIRO: os impactos
da militarização, da violência institucional e as consequências psicológicas.
estrutura militarizada da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) afeta a saúde mental de
seus agentes. Parte-se da hipótese de que a militarização, a lógica disciplinar e a cultura
organizacional da corporação estão diretamente relacionadas ao sofrimento psíquico dos
policiais, contribuindo para elevados índices de adoecimento, ansiedade, depressão e suicidio.
Historicamente, a PMERJ se constitui sob um modelo orientado pela lógica de guerra e pelo
combate ao “inimigo interno”, sustentado por vigilância permanente, uso intensivo da força e
uma rígida cadeia de comando. Tais elementos moldam subjetividades marcadas pela
obediência, pelo controle e pela negação da vulnerabilidade emocional, reforçando um ethos
guerreiro que transforma o policial em instrumento do Estado. A sobrecarga de trabalho, as
escalas exaustivas, o medo constante e as condições materiais precárias intensificam o
desgaste psicológico. A literatura aponta que policiais militares apresentam índices
significativamente superiores de sofrimento psíquico quando comparados à população geral.
Dados recentes indicam crescimento expressivo dos casos de suicidio entre policiais. A
cultura institucional que estigmatiza o sofrimento emocional e desestimula a busca por ajuda
reforça o silêncio e impede intervenções precoces. Conclui-se que o adoecimento psíquico
não é um fenômeno individual, mas expressão de uma estrutura que simultaneamente submete
e exalta o policial, produzindo subjetividades marcadas pela desumanização. Assim,
transformações na cultura organizacional e revisão do modelo militarizado são essenciais para
enfrentar o ciclo de sofrimento que marca a realidade da corporação.
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