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ENTRE A VIDA E A MORTE:
O SOFRIMENTO PSÍQUICO DE MÃES ENLUTADAS EM MATERNIDADES,
ENFERMARIAS E UTIS NEONATAIS
A experiência da perda perinatal configura-se como um evento singular que combina
dor física, ruína de expectativas e desamparo social. O luto perinatal não é apenas
uma reação individual, mas um fenômeno socialmente moldado: a invisibilização
institucional e o silêncio cultural ao redor da morte gestacional intensificam o
sofrimento materno e dificultam a elaboração do luto. O objetivo geral consiste em
compreender o luto perinatal não apenas como evento clínico, mas como vivência que
exige escuta, reconhecimento e cuidado contínuo. Este estudo foi realizado por meio
de revisão bibliográfica qualitativa exploratória. A seleção das fontes foi efetuada em
bases de dados como SciELO e bibliotecas digitais universitárias (bancos de teses e
dissertações). Mães enlutadas apresentam maior risco de depressão, ansiedade e
transtorno de estresse pós-traumático; sofrem com a ausência de protocolos e
espaços adequados em maternidades, enfermarias e UTIs neonatais; e vivenciam o
luto como experiência marcada pela perda de um projeto de vida e pela
deslegitimação social da dor. A escuta psicoterápica hospitalar, o suporte psicossocial
contínuo, a criação de rituais simbólicos de despedida e a formação das equipes em
comunicação compassiva emergem como práticas eficazes para mitigar sofrimento e
prevenir adoecimento psíquico. Conclui-se que a humanização do cuidado perinatal
exige articulação multiprofissional, protocolos de acolhimento, encaminhamento pós
alta e políticas de formação que integrem sensibilidade e técnica. Recomenda-se
pesquisa qualitativa com relatos maternos e estudos avaliativos de intervenções para
subsidiar políticas e práticas clínicas que reconheçam o bebê que não chegou como
indivíduo presente no afeto.
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